Associação de Desenvolvimento Samarreiros de Vila Verde

Logotipo da associação

No dia 21 de janeiro de 2008, um grupo de vinte e cinco cidadãos da nossa terra, no qual figuravam moradores de todas as ruas de Vila Verde, reuniu-se na sede do Centro Cultural, para estudar a possibilidade da criação de uma associação que defendesse os interesses da comunidade.

Nesta reunião, foram analisadas as razões que determinavam a necessidade da criação daquela instituição, tendo todos concordado que a povoação só beneficiaria com a sua concretização. Daqui resultou a necessidade de informar toda a população das intenções que moviam este grupo dos vinte e cinco e pedir a todos o indispensável apoio à criação da sua associação.

Após mais algumas reuniões dos líderes do movimento, que estudavam a estrutura da organização a apresentar na reunião magna da aldeia, foi feito o apelo final a todos os vilaverdenses, para comparecerem no salão do Centro Cultural, no dia 9 de junho desse mesmo ano de 2008, dia a seguir à festa de Nª Srª das Febres.

Nesta reunião histórica, foram todos os presentes, em número muito apreciável e encorajador, informados das intenções dos promotores do encontro, que apresentaram um projeto de estatutos para a futura associação, que tinha já um nome aprovado pelos vinte e cinco e devidamente registado, no dia 23 de julho no Instituto dos Registos e do Notariado: ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO SAMARREIROS DE VILA VERDE.

Escritura notarial para constituição da associação

Aprovados os estatutos marcou-se rapidamente a escritura de constituição da associação, o que aconteceu, no Cartório Notarial de Seia, no dia 14 de Agosto de 2008.

Faltava apenas escolher os elementos que iriam gerir os destinos da associação. O grupo dos vinte e cinco organizou-se para apresentar uma lista que iria concorrer à eleição dos corpos gerentes da instituição e fez um apelo final a todos os sócios, entretanto angariados, para estudarem a possibilidade de apresentarem também uma lista alternativa à do grupo referido. Estavam cumpridas com êxito todas as etapas burocráticas que permitiriam o nascimento da associação, mas, obviamente, faltava dar o passo final: eleger a direção da associação.

A convocação final aos sócios foi feita por carta em 10 de outubro de 2008. Na missiva apelava-se à consciência cívica de todos e pedia-se o seu apoio com a presença maciça, indicando que «…é à Associação e a ninguém individualmente que competirá, passo a passo, por prioridades, ocupar-se dos assuntos de interesse coletivo. Ao contrário do que se passava até agora, porquanto, só por iniciativa individual de alguns, sempre sujeitos a críticas, muitas vezes injustas, devido à ignorância dos cidadãos e à falta de informação, algumas obras se fizeram na nossa terra…»

Apontava-se o fim das comissões de melhoramentos ad hoc, dos esforços individuais, em substituição do esforço conjunto dos diretores da coletividade que, em assembleia geral de sócios, em 24 de outubro de 2008, foram eleitos numa reunião em ambiente democrático exemplar, como o tinham sido, até aí, todos os passos dados para a concretização da desejada associação.

A lista apresentada pelo grupo dos vinte e cinco, que foi a única a concorrer ao ato eleitoral, foi eleita por aclamação e os seus membros assumiram publicamente respeitar os estatutos da Associação e lutar pelos objetivos que ficavam resumidos no seu Artigo 3º: “A Associação tem por objetivo o fomento e desenvolvimento da localidade de Vila Verde, concelho de Seia, nomeadamente na prossecução de interesses sociais, económicos e urbanísticos”.

Por nos parecer ter interesse histórico, aqui se indica como ficou constituída a primeira lista eleita dos corpos gerentes da associação:

ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: Dr. José Manuel de Brito Amaral
1º secretário: Manuel da Cruz Mendes
2º secretário: João de Jesus Santos

DIREÇÃO
Presidente: Manuel Joaquim Correia Lopes
Secretário: Joaquim da Silva Matias
Tesoureiro: Olga Maria Simões Marques
1º Vogal: Joaquim Cunha Alves
2º Vogal: Joaquim Antenor Rodrigues Lopes dos Santos

CONSELHO FISCAL
Presidente: Luís Manuel Marques Mendes
1º Vogal: António Marques dos Santos
2º Vogal: Cláudio Filipe Henrique Silva

Capela de Stº António durante as obras de recuperação.

Uma das primeiras obras que a direção da associação tencionava tomar a seu cargo era a recuperação da velhinha Capela de Santo António. Todos sabíamos que era urgente acudir ao templo mais querido da terra. Depois da construção da nova igreja, a capela, que tinha testemunhado todos os acontecimentos históricos de Vila Verde durante quase três séculos, estava praticamente ao abandono, para desgosto da esmagadora maioria dos seus habitantes.

Com o pouco dinheiro reunido, desde que se tinham pago todas dívidas resultantes da construção da igreja nova, inaugurada em agosto de 1999, tinha-se procedido, no ano de 2007, à aplicação de telhado novo, para evitar a entrada de água da chuva, que já ameaçava destruir o seu interior. Era, no entanto, difícil reunir os fundos suficientes para a recuperação total da capela. Estávamos em finais de 2009, em plena crise, que se acentuou em 2010 e seria muito difícil mobilizar a população, neste período crítico da vida nacional.

A direção da associação tentava captar os apoios necessários para, aos poucos, ir procedendo à recuperação do templo. Se não se conseguisse fazer a obra num ano, far-se-ia em dois ou mesmo três ou quatro; o importante era começar e avançar à medida que se angariavam os meios. No entanto, sob a forma de autêntico milagre, apareceu a solução.

O nosso conterrâneo, José Alberto Borges dos Santos, tomou a decisão de adquirir o terreno de Santo António, à Lameira, atrás da escola primária, que, apesar de se considerar propriedade da povoação, era pertença da igreja, desde a suspensão da atividade da Irmandade de Nª Srª da Conceição, anterior dona do citado terreno. A associação solicitou às autoridades diocesanas a utilização do dinheiro proveniente da venda desse terreno para a recuperação da capela, o que foi de imediato autorizado. A importância em questão também não era suficiente para custear todas as despesas, mas correspondia a mais de metade do necessário. Acima de tudo, isso permitia avançar de imediato com as obras e esse donativo serviria de incentivo, para que todos os vilaverdenses, onde quer que se encontrassem, pudessem, apesar das dificuldades, contribuir com o possível para a conclusão rápida dos trabalhos.

Capela de Stº António depois das obras de recuperação.

O benemérito José Alberto, que não pôde assistir, como era seu desejo, à inauguração do restauro da “sua” capela, visto a morte o ter levado, em março de 2010, cumpriu com a sua promessa; em ato contínuo, efetuou a compra do terreno à igreja e procedeu à sua doação à associação, o que correspondeu à devolução daquele importante espaço à população de Vila Verde. O seu exemplo, que os vilaverdenses não esquecerão mais, fica aqui registado, podendo ser amplamente apreciado na obra Capela de Santo António – Vila Verde-Seia – 1732 a 2010, da autoria do nosso conterrâneo, Antenor Santos, escrita justamente para registar a efeméride da inauguração da capela já restaurada.

Tudo se conjugou para o grande êxito que foi a inauguração do restauro da capela em 15 de agosto de 2010. Não vamos descrever o que então se passou. Para saberem como decorreram os trabalhos, os interessados poderão adquirir a obra acima referida, opúsculo editado e posto à venda, cujo produto reverte para pagamento do custo das obras, ainda não totalmente concluído neste ano de 2011. Sobre os festejos realizados, chamamos a atenção de todos os que aqui nos lêem, para a rubrica de fotos e vídeos desta página.

Esta primeira obra, que a associação concretizou, não esgotou a capacidade para materializar outras realizações, às quais a população de Vila Verde aspira. Todas elas estão referidas em agenda, nesta mesma página, e são muitas! Contudo, a direção da associação é realista; a crise, que se agudizou neste ano de 2011, não lhes permite sonhar demasiado. Numa década, entre 1999 e 2010, o povo da nossa aldeia custeou, praticamente sozinho, as despesas da construção de uma nova igreja e o restauro da antiga capela, com um investimento superior a quinhentos mil euros; há, por isso, que ter muita paciência e aguardar melhores dias, sem, todavia, deixar de se lutar, junto das entidades autárquicas, na defesa dos interesses de Vila Verde.